Como o Brasil vai jogar no tabuleiro da nova geopolítica do petróleo

geopolítica do petróleo

O setor do petróleo se apresenta como um tabuleiro de xadrez. Porém, esse jogo vai muito além de uma mera partida esportiva, ele decide o andamento e os rumos do planeta.

Sim! Essa é a proporção – planetária mesmo. Até porque, estamos falando do produto mais disputado no mundo.

Muita coisa está em jogo: lucros gigantescos, abastecimento, poder, estratégia, soberania e independência.

Por isso lá estão os poderosos EUA e a Arábia Saudita de um lado; e China, a Rússia e Irã do outro. E intermediando essa latente disputa a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

Mas para entender melhor como ficam as novas fronteiras no setor do petróleo e onde o Brasil entra nessa história, vamos mostrar a importância da América para o século 21 nesse contexto do petróleo.

 

América e Século 21

O século 21 se apresentou desafiador. No setor do petróleo não foi diferente. Novos conflitos, novas áreas descobertas e muito interesse em jogo.

Nesses 20 anos desse século, transformações importantes na geopolítica do setor trouxeram novos países para o jogo.

E essa ampliação do leque de possibilidades exploratórias colocou o continente americano no olho do furacão.

Vamos lá:

:: Os EUA se destacam com as descobertas do gás do xisto (shale gas) e petróleo bruto leve (tight oil); os norte-americanos tornam-se, em 2018, o de maior produtor de petróleo do mundo (produção de mais de 11,3 milhões de barris por dia);

:: O Canadá tem o óleo das areias betuminosas; além disso, novas descobertas de reservas provadas totalizam 179,6 bilhões de barris;

:: O Brasil entra com o Pré-sal e está lista dos dez maiores produtores de petróleo, chegando a 3 milhões de barris por dia. Ultrapassando países tradicionais como Kuwait.

:: A Venezuela chama a atenção do mundo ao praticar intervenções governamentais no setor. Os venezuelanos estatizaram campos de petróleo, plataformas, terminais e embarcações. Eles têm a maior reserva comprovada do mundo;

:: Bolívia: outro país sulamericano preocupado com o setor estratégico do petróleo. Tanto é verdade, que eles nacionalizaram reservas de gás, refinarias, logística de comercialização e distribuição;

:: México: atual administração federal do país suspendeu leilões de petróleo por três anos, também interditou propostas de desestatização e irá revisar contratos do setor.

Além disso, não se pode esquecer das recentes descobertas de reservas de petróleo na Guiana e no Suriname, que podem acelerar ainda mais as mudanças na geopolítica do setor.

Entendeu porque os olhos do mundo estão focados na América? Porque quando o assunto é petróleo, o continente já está no centro das disputadas no setor.

 

Disputa continental e mudanças

Enquanto a América vê essa perspectiva de avanço no “poderio” energético, a Ásia não fica atrás.

Das 35 maiores descobertas de hidrocarbonetos com mais de 1 bilhão de barris, além dos países americanos já citados, há avanços significativos também em países como Rússia, China, Índia e Turcomenistão.

Ou seja, a Ásia irá entrar nesse jogar também. Vale ressaltar que boa parte dessas descobertas asiáticas são de petróleo tradicional e xisto.

Lembrando que muita coisa já mudou no setor. Para se ter uma ideia, na década de 2000, mais de 40% da demanda mundial de energia se concentrava na Europa e nos EUA e apenas 20% ficava em países da Ásia.

Porém, até 2040, impulsionada pela demanda chinesa e indiana, esse quadro deve ter uma reversão completa de acordo com a última previsão da World Energy Outlook (2018).

Portanto, uma coisa é certa neste tabuleiro geopolítico, os reis e rainhas ainda não mudaram.

Apesar das perspectivas de novos centros, as principais quedas de braços continuam no oeste e no leste do Golfo Pérsico. De um lado, os EUA e seus laços com a Arábia Saudita, de outro, a China, a Rússia e o Irã.

O que resta saber, a partir desse novo cenário, é como e com quem o Brasil vai jogar.

 

Veja também É verdade que a Petrobras vende gasolina mais barata para outros países ?

 

Como o Brasil vai jogar no tabuleiro da nova geopolítica do petróleo

Compartilhe a nossa campanha no Facebook

Siga-nos no Instagram

 

Passado, Presente e Futuro: A Petrobras é tudo isso e muito mais

Com a Petrobrás privatizada, você será punido com as crises mundiais do petróleo!
Com a Petrobrás privatizada, você será punido com as crises mundiais do petróleo!
Hoje, no Brasil, o barril do petróleo é atrelado ao mercado internacional. Sua variação cambial é em dólar. Então, quando ocorre uma crise envolvendo países produtores de petróleo (como acontece...
Mentiras sobre o endividamento da Petrobras: uma estratégia para a privatização
Mentiras sobre o endividamento da Petrobras: uma estratégia para a privatização
Imagine você descobrir uma gigante mina de ouro. Uma das maiores do mundo. A maior descoberta dos últimos trinta anos. Legal, né? Aí, depois de muito esforço, você entende que...
Em meio à crise internacional, a atual gestão da Petrobras falha em não priorizar o refino
Em meio à crise internacional, a atual gestão da Petrobras falha em não priorizar o refino
Em meio à maior crise internacional de petróleo dos últimos anos, a atual gestão da Petrobras parece não ter entendido o tamanho do problema e também o caminho correto que...