Privatizar não acaba com corrupção (isso sim é mito)

Privatizar acaba com a corrupção

Diversos mecanismos de prevenção e combate à corrupção foram adotados, como a Controladoria Geral da União (CGU), em 2003, e o Portal da Transparência, em 2004. Assim como a Lei de Acesso à Informação, de 2012.

E esse é o caminho: ter formas de controle e combate à corrupção.

Nos últimos anos, no Brasil, essa palavra “corrupção” circulou em todas as esferas (seja na escola, universidades ou nos almoços de família) como pauta de campanha política.

Infelizmente a Petrobras esteve na boca dos brasileiros com o argumento de que é preciso privatizá-la para acabar com a corrupção.

Porém, há exemplos no Brasil e no mundo que provam que práticas ilícitas existem em todas as esferas.

 

Vamos a alguns exemplos de grandes empresas ou corporações que cometeram crimes:

:: Shell (2004): a empresa do setor do petróleo supervalorizou suas reservas em 23%, o que resultou em lucros inflados em US$ 276 milhões. Como multa, a Shell desembolsou US$ 150 milhões e investiu mais US$ 5 milhões em um programa de compliance.

:: Samsung (2017): Caso considerado o julgamento do século na Coreia do Sul, condenou o herdeiro da Samsung, Lee Jae Yong, à prisão por corrupção. Sua pena de 5 anos foi a maior já aplicada a um empresário no país. O caso gerou impeachment da presidente Park Geun Hye, também presa por ter recebido dinheiro de Lee. O herdeiro da Samsung tinha uma fortuna estimada em US$ 18 bilhões e foi condenado por corrupção e enriquecimento ilícito, entre outros crimes.

:: Banestado (2000): o caso mais  impactante de corrupção no Brasil. Provocou um rombo de R$ 42 bilhões. O estado obteve o retorno de cerca de R$ 20 bilhões. O banco foi privatizado.

:: Volkswagen (2015): foi revelado que a Volkswagen instalava softwares em seus carros a diesel para manipular resultados de testes de emissão de poluentes. No Brasil, 17 mil unidades da picape Amarok foram envolvidas. O grupo pagou até agora US$ 20 bilhões em multas. O caso ficou conhecido como “Dieselgate”.

:: Fiat Chrysler: foi acusada pela Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos de fraudar os testes de emissão de carros a diesel, por meio de um software instalado em vários de seus modelos.

:: Exxon Mobil: gigante do petróleo é processada nos EUA por enganar investidores sobre risco de mudança climática.

:: General Eletrica (GE): registros financeiros da empresas mascaravam a profundidade de um rombo de quase US$ 40 bilhões (mais de R$ 160 bilhões).

:: Lehman Brothers (2008): principal nome da crise mundial de 2008, o Lehman Brothers era o quarto maior banco de investimento dos EUA. O impacto financeiro no mundo é imensurável.

:: Madoff (2008): um dos maiores escândalos de fraude no mundo. A empresa do investidor Bernard Madoff atraía investidores oferecendo níveis de rentabilidade que chegavam a 1% ao mês. Madoff desviou aproximadamente US$ 65 bilhões (atingindo cerca de 3 milhões de pessoas). Foi condenado a 150 anos de prisão.

:: Siemens (2006): multinacional alemã teve fraudes fiscais descoberta em 2006 em contratos de infraestrutura na Nigéria. O montante desviado passou de € 200 milhões (euros). A empresa também é ré no Brasil em ação do Ministério Público, que investiga o cartel de trens de São Paulo.

:: Parmalat (2002): péssima gestão quebrou a Parmalat. O presidente do conselho de administração era também diretor-presidente, algo condenável nos manuais de boa governança. Em 2002, após auditoria, se concluiu que os ativos líquidos da empresa eram insignificantes. As dívidas ultrapassavam os € 14,5 bilhões (euros).

:: WordCom (2002): segunda maior operadora de chamadas de longa distância nos EUA teve suas irregularidades contábeis descobertas em 2002. A empresa inflou artificialmente seu rendimento líquido. As perdas estimadas chegaram a US$ 186 bilhões.

:: GRUPO X (2012): Eike Batista viu seu castelo de areia desabar quando deixou de cumprir metas e viu sua petroleira OGX parar com a exploração de algumas áreas da bacia de Campos. Em 1º de outubro de 2012, a OGX confirmou calote de US$ 44,5 milhões a credores estrangeiros.

 

Empresas privadas sonegam (MUITO), e isso também é corrupção

Especialistas estimam que no Brasil o faturamento não declarado fica em torno de R$ 2,17 trilhões por ano e os tributos sonegados pelas empresas variam de R$ 390 bilhões a R$ 500 bilhões por ano.

A sonegação de impostos é geralmente uma opção de empresários, gestores e acionistas, que preferem ampliar sua margem de lucro. E, como vimos, tanto faz se é uma empresa nacional ou uma multinacional (que muitas vezes cometem crimes que não cometeriam em seus países de origem).

Estes valores que deixam de ir para a União, Estados e Municípios, poderiam ser usados para ampliar as estruturas e os serviços públicos para a população, e melhorar as condições de vida de milhões de pessoas.

Afinal, a União, os estados e os municípios precisam de recursos vindos principalmente dos impostos para desenvolver políticas públicas nas áreas essenciais como educação, saúde, segurança pública, saneamento (água e esgoto), iluminação, pavimentação, limpeza pública, combate a doenças, desenvolvimento de vacinas,  agricultura, assistência social, administração, cultura, esporte, lazer, gestão ambiental, urbanismo, previdência, geração de emprego e renda, direitos e cidadania, Justiça, habitação, proteção ao meio ambiente, ciência e tecnologia, energia, transporte público, entre tantas outras.

Bom, uma coisa é certa (e isso vale para a Petrobras ou para qualquer outra estatal):: está comprovado que privatizar não acaba com a corrupção, apensas causaria prejuízos imensos para a população (inclusive para você!).

 

Quer saber mais, então leia esta matéria: A quem interessa privatizar a Petrobras?

 

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