Privatizar unidades do Sistema Petrobras acaba com empregos no Brasil e gera em outros países

O Brasil passa por um processo de desindustrialização acelerado. Significa dizer que há uma mudança social e econômica em curso no país. A consequência dessa agenda é a redução da capacidade industrial do Brasil.

E uma das principais características de países desindustrializados é a dependência de produtos importados, sejam os derivados do petróleo (gasolina e diesel) ou os insumos agrícolas (ureia e amônia).

Outro impacto é na arrecadação. Municípios, estado e a União (Governo Federal) perdem em arrecadação, circulação de produtos e exportação.

Países com pouca indústria exportam commodities (geralmente produtos agrícolas), como a soja, para depois comprá-los já industrializados de fora, por valores atrelados ao dólar e muito mais caros.

 

O desinvestimento bate na porta da Petrobras!

Atualmente a companhia passa por uma reformulação na sua política e o termo ‘desindustrialização’ foi atualizado para ‘desinvestimento’.
Na prática, o resultado é o mesmo: corte de investimentos e encolhimento.

Essa política do atual Governo Federal atinge em cheio a Petrobras, principalmente em dois segmentos: a indústria naval e o refino.

Não por acaso, tornaram-se comuns visitas de investidores, principalmente chineses e árabes, nas unidades de refino da estatal.

Detalhe: respectivamente os dois países são considerados gigantes no setor do petróleo e mantém seus conglomerados de refino nas mãos do Estado (bem diferente do que o governo brasileiro quer fazer…).

Ou seja, caso o Brasil venda seus principais parques de refino, com exceção das unidades no Sudeste, é provável que os compradores sejam empresas estatais de outros países (no mínimo curioso, não é mesmo?).

E aí, não é contraditório o Governo Federal insistir em acabar com o modelo estatal da Petrobrás entregando esse patrimônio para estatais de outros países?

 

Transferência de mão-de-obra

A tendência, se continuar esse processo de desindustrialização, é que as oportunidades de trabalho migrem para outro lugar.

E, se tratando de um país com mais de 13 milhões de desempregados e mais de 50 milhões vivendo de subempregos ou empregados precarizados, isso não é um bom negócio.

Além disso, Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, repetem o erro, com o refino, que Michel Temer cometeu com a indústria naval brasileira.

Hoje o setor naval está sucateado e as plataformas são construídas na China e na Indonésia, gerando emprego e lucro por lá

Agora veja alguns pontos que mostram como o Brasil perde com a desindustrialização:

:: A Petrobras é líder em projetos educacionais. Nenhuma empresa investe mais em educação do que ela. Isso seria perdido;

:: A empresa tem papel essencial na arrecadação dos estados, municípios e União, principalmente com refinarias. Esses lucros serão enviados para outros países;

:: Toda desindustrialização gera desemprego. Só na Petrobras, são mais de 60 mil funcionários diretos, além dos terceirizados e indiretos. Na cadeia direta são mais de um milhão de empregos. Grande parte dessas pessoas seria demitida;

:: O país perderia participação no setor de óleo e gás, que já representaram 13% do Produto Interno Bruto (PIB, que é a soma das riquezas do país);

:: A indústria naval já empregou 84 mil trabalhadores, hoje está abandonada e é o principal exemplo dos malefícios da desindustrialização;  

:: Os estaleiros estão praticamente sucateados atualmente, enquanto obras brasileiras geram emprego e renda na Ásia;

:: Dos 40 estaleiros brasileiros, 12 estão parados e os outros estão precarizados, trabalhando abaixo da capacidade, sem clientes e encomendas;

:: Os que ainda operam, atendem a construção de embarcações fluviais (barcaças, ou de transporte de passageiros, o que é muito pouco no nosso país porque o potencial fluvial ainda é pouco explorado);

:: A indústria voltada para a construção de plataformas e navios offshore está praticamente abandonada.

O Sistema Petrobras movimenta cadeias econômicas e é um gerador de desenvolvimento nacional, além de fortalecer economias regionais desde sua criação.

Na contramão disso, o Governo Federal opta por gerar desemprego no mercado interno e proporcionar o crescimento de outros países.

Isso é algo difícil engolir, certo? Principalmente tratando-se de uma empresa fundamental como é a Petrobras.

 

Veja também P 70 plataforma da Petrobras: morte em alto mar e o fim da indústria naval brasileira

 

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