Vender refinarias não diminuirá o preço dos combustíveis

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Um mito que é muito espalhado por aí é que parte da culpa dos preços altos dos combustíveis é devido ao alto custo do refino do petróleo no Brasil. Isto é falso!

O boato é muito usado para convencer de que seria bom negócio vender as refinarias, o que na verdade é um péssimo negócio.

Os preços estão altos por culpa de decisões políticas iniciadas no governo Temer e seguidas no governo Bolsonaro. Ambos levam em conta a cotação do petróleo no mercado internacional e a variação no câmbio no curto prazo. Assim, não é raro ter mais de um reajuste por semana.

Entre 2003 e 2015, a política era de segurar os preços por um período maior e definir o valor ao fim com base na previsão de câmbio futuro e da cotação do petróleo. Foi o período em que a Petrobras mais cresceu em patrimônio e em presença no mercado internacional.

 

Mas onde entram as refinarias?

O Governo Bolsonaro quer vender as refinarias da Petrobras. Dez delas foram incluídas em um pacote de patrimônios que podem ser vendidos pelo governo. A longo prazo, a estatal ficaria responsável apenas pela exploração e venda de petróleo cru, o que fará com que o Brasil vá cada vez mais na contramão dos outros países em desenvolvimento que são grandes produtores de petróleo.

Atualmente, as refinarias estão com capacidade de funcionamento propositadamente na casa dos 60%, o que faz com que nosso governo tenha que importar combustíveis. Assim, o Brasil está refém dos preços externos.

As refinarias são uma forma de se controlar os preços dos combustíveis e dar receitas estáveis à companhia, pois eles variam menos que a matéria-prima.

Enquanto o lucro da extração de petróleo é extremamente volátil, com altas e baixas frequentes, o produto refinado pode ser, no seu excedente, usado para segurar as variações dos preços internacionais e do câmbio.

Por outro lado, com mais combustível refinado no Brasil, menos gasolina, diesel e gás de cozinha entra no mercado nacional com preço internacional. Isso tende a jogar os preços para baixo, o que é bom para a população.

Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmam que se privatizassem a Petrobras os preço dos combustíveis iriam abaixar, mas os próprios números da Petrobras desmentem a dupla.

Números do final de 2018 apontam que o custo do refino do barril de petróleo dentro do Brasil era próximo aos US$ 2, enquanto nas sucursais estrangeiras da própria empresa custava US$ 3, custo 50% maior.

Logo, é mais barato refinar no Brasil, assim como facilmente poderia ser mais barato comprar combustível por aqui.

 

Grandes refinam mais

O Brasil produz atualmente cerca de 3 milhões de barris de petróleo por dia. No entanto, a capacidade de refino está na casa dos 2,29 milhões. O consumo de derivados de petróleo (gasolina, diesel, gás de cozinha, fertilizantes, plásticos, etc) está ligeiramente superior à extração.

Assim, para ter este controle do refino, o mais correto e inteligente seria a Petrobras investir para aumentar sua capacidade de refino, e não promover o desmantelamento dela.

Voltar a refinar mais perto da capacidade total já supriria praticamente toda a demanda.

Em vários dos principais países da economia mundial, há mais capacidade de refino que de extração de petróleo, quando esta não é superior ao consumo. Assim, eles garantem lucros mais estáveis vendendo para o exterior e ainda têm margem para controlar preços internos.

Os Estados Unidos têm produção na casa de 13 milhões de barris/dia, mas a capacidade de refino total do país é de 18 milhões de barris/dia.

A China tem produção de petróleo na casa de 3,85 milhões de barris/dia. No entanto, a capacidade de refino é espantosa. Os chineses conseguem refinar 14,51 milhões de barris/dia, sendo que o consumo do país é de 12,80 barris/dia.

A Rússia refina o equivalente ao dobro de seu consumo. A capacidade só é menor porque o maior país do mundo em área é um grande exportador também de petróleo cru devido à sua produção ser muito alta (efeito de ser quase do dobro do tamanho da China, por exemplo).

As grandes empresas internacionais, como ExxonMobil e Shell, também refinam mais do que produzem. Elas sabem que vender refinados garante melhor controle do preço, lucros mais constantes e saúde financeira em dia.

Além disso, uma mesma empresa extrair, transportar, refinar e distribuir significa que o lucro tende a ser realizado em apenas uma das pontas da cadeia de produção, o que também significa preços menores. Por isso é importante manter a Petrobras estatal e inteira.

 

Vender refinarias é perder valor e relevância

Enquanto no mundo todo as empresas de petróleo se diversificam, atuando em extração, transporte, refino e distribuição, além de novas tecnologias de energia como um todo, o governo pretende separar a empresa em vários pedaços.

Cuidando só da extração, a empresa tende a perder valor e a encolher, pois ficará suscetível a crises internacionais e variações de câmbio ao vender apenas matéria-prima.

Imagine o que aconteceria se o preço do petróleo cru caísse 30%. A perda de valor da empresa seria próximo a isso.

Os produtos refinados têm maior valor de venda por si só. E a tecnologia envolvida no processo também ajuda a dar mais valor à companhia, pois conhecimento vale muito. Abrir mão disso é ser refém dos preços da matéria-prima.

 

Colônia para sempre?

Vender as refinarias da Petrobras é condenar o Brasil a ser um mero fornecedor de matéria-prima, como foi em boa parte de sua história como colônia de exploração.

É um crime contra a soberania nacional tão grande quanto vender a companhia inteira. É condenar o país a novamente enriquecer os outros como foi no ciclo do açúcar, no ciclo do ouro, no ciclo do café, e assim por diante.

Veja também A população concorda que a Petrobras deve controlar preços de combustíveis e gás de cozinha

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